Referências Didáticas de Gabriel Lopes Coutinho Filho - Conteúdos jurídicos e culturais para uso pedagógico.

Referências Didáticas de

Gabriel Lopes Coutinho Filho

 

 

 

Conteúdos jurídicos e culturais para uso pedagógico.

 

 

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ARTIGO DE INTERESSE

 

Nota: Leia o texto com bastante atenção. Faça um paralelo entre a mensagem do texto

e a produção de uma sentença judicial em um exame para a magistratura.

E lembre-se: na atividade jurisdicional, ainda que haja alguma alteração mais no conteúdo

que na forma, um magistrado pode fazer várias sentenças por dia.

Conclusão: Treine. Treine muito. E quando achar que já está bem, treine um pouco mais!

 

Folha de São Paulo –  Suplemento Equilíbrio

São Paulo, quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

 

NEUROCIÊNCIA
Suzana Herculano-Houzel

 

Método para os virtuosos

 

Adoro assistir às apresentações olímpicas de patinação artística, que são para mim semelhantes aos grandes concertos de música: o que se tem diante dos olhos são demonstrações da enorme destreza e virtuosidade que o cérebro humano pode alcançar com alguns anos de prática, paixão e... um bom método.
Dos treinos de patinação artística não entendo, mas conheço por experiência própria o valor de um método adequado para o desenvolvimento da precisão técnica ao piano. Como na patinação, ninguém vira um virtuoso sem muita prática, de preferência diária.
Mas, quanto mais rapidamente essa prática cobrir todas as combinações possíveis de movimentos a serem usados nas demonstrações ou concertos, melhor e mais completo será o atleta do rinque ou do piano. Afinal, mesmo para tocar a sequência de 896 notas com a mão direita do "Voo do Besouro" em pouco mais de um minuto, começa-se juntando sequências menores de dois ou três movimentos dos dedos.
Um cérebro cujos núcleos da base já são craques em executar rapidamente sequências pequenas -digamos, anular-mínimo-médio ou anular-médio-mínimo (tente!)- não terá grandes problemas mais tarde para aprender a executá-las dentro de sequências maiores.
E aqui entra o método. No século 19, o pianista francês Charles Hanon não sabia da neurociência por trás do aprendizado do piano, mas sabia que os métodos tradicionais de Czerny e Clementi, melodiosos, mas pouco estruturados, levavam muito tempo para dar resultados a seus estudantes.
A mão esquerda era relegada ao acompanhamento; anular e mínimo eram usados só aqui e ali. Identificando essas fraquezas, Hanon criou um programa revolucionário de estudo. Com "O Pianista Virtuoso", usado em conservatórios de música até hoje, o aluno pode treinar em meia hora diária todas as sequências possíveis de três dedos, incluindo o mindinho, e ainda fazer sua mão esquerda alcançar a mesma destreza e rapidez que a direita. Com mais uma hora, têm-se oitavas, arpejos, trinados, tremolos: está tudo lá.
Como o dia só tem 24 horas, é preciso escolher no que treinar o cérebro. O meu virou neurocientista; não dá para ser pianista só nas horas vagas, mas, com a ajuda do Hanon, até que ainda toco bem o suficiente para agradar ao meu sistema de recompensa. Outros dedicam seus núcleos da base a fazer coisas impressionantes sobre o gelo, enquanto pianistas e cientistas olham admirados, cada um com sua expertise. Viva a diversidade!

 

SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ e autora de "Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor" (ed. Sextante) e do blog www.suzanaherculanohouzel.com

suzanahh@gmail.com